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Uso de braquetes auto-ligáveis: um novo conceito da Ortodontia

Os braquetes auto-ligáveis (em inglês, self-ligating braces) são a denominação mais comum de aparelhos compostos por braquetes que dispensam o uso de ligaduras elásticas (“borrachinhas”) ou metálicas (“amarilhos”) para fixar o fio ou arco ortodôntico. Um “clip” (uma espécie de “tampa”) é responsável pela apreensão do fio conforme é visualizado na figura 1.

Este tipo de tratamento ortodôntico inovador traz benefícios significativos para os pacientes, pois propiciam uma força "fisiológica" mais leve e contínua para movimentação dentária, gerando baixo nível de atrito. Com isto, o tratamento pode ser finalizado em um menor período de tempo, menor número de consultas e oferece maior conforto aos pacientes.

Em casos em que há apinhamento (falta de espaço nas arcadas para o correto alinhamento dos dentes), o uso dos dispositivos auto-ligáveis permite alinhar os dentes mais rapidamente (Figuras 2, 3 e 4), com consultas mais rápidas, devido à facilidade em remover e trocar os fios ortodônticos, bem como o baixo atrito e a capacidade do fio deslizar com mais facilidade dentro do braquete. Outra vantagem destes aparelhos em relação aos convencionais, é o menor acúmulo de placa bacteriana, responsável pela maioria dos agravos a gengiva e dentes, visto que é mais facial higienizá-lo.

Dentre os sistemas de braquetes auto-ligáveis mais conhecidos, citam-se o Speed® (Strite Industries), o Damon® (Ormco), o In-Ovation® (GAC International) e o Smart Clip® (3M Unitek). A maior desvantagem ainda reside no custo, que é mais alto quando comparado aos aparelhos convencionais. Já foram lançados no mercado odontológico os braquetes auto-ligáveis estéticos, combinando a cerâmica com clips de níquel-titânio. Estes dispositivos são mais discretos.

Os braquetes auto-ligáveis tem trazido resultados benéficos, com ótima resposta na mecânica Ortodôntica, tornando-se o aparelho cada vez mais utilizado e viável na Ortodontia.

Profa. Me. Luégya Knop Shintcovsk – Coordenadora e Professora Curso de Especialização e Atualização em Ortodontia NEOBA

Dra. Márcia Veiga Murici – Especialista em Ortodontia e Diretora Orthoclínic

Figura 1 – Detalhe do braquete auto-ligável


Figura 2 – Fotos iniciais


Figura 3 – Alinhamento e Nivelamento – 1 mês após instalação do aparelho auto-ligável


Figura 4 – Alinhamento e Nivelamento – 3 meses após instalação do aparelho auto-ligável


A DOR QUE VEM DA ATM

A sigla significa articulação temporomandibular.Essa estrutura , que liga o crânio e a mandíbula, pode ser alvo de uma lista de problemas.Na maioria das vezes, causados pelo estresse. As mulheres na faixa etária dos 30 anos são as principais vitimas.

O trânsito intenso, a carga exagerada de trabalho, o divórcio e outras situações estressantes da vida moderna estão levando muita gente aos consultórios dentários. Esses pacientes que aparecem reclamando de escutar zumbidos, estalos, dores perto do ouvido, na nuca e nos ombros, de cefaléia constante e de dificuldade para mastigar, falar e até bocejar, descobrem que estão sofrendo de disfunção da ATM. A sigla significa articulação temporomandibular.Quanto maior a tensão pela qual está passando, mais a pessoa contrai a musculatura facial, comprimindo a estrutura que conecta o crânio à mandíbula. Essa pressão nos músculos, nos nervos e nos ossos das laterais da face é que acaba levando as vítimas a apresentar tais tipos de sintomas. A disfunção está se tornando mais comum. Nos anos 70, aproximadamente 5% da população mundial precisavam de tratamento. Na década de 90, 7,5% passaram a sofrer desse mal. As mulheres são as que mais convivem com a alteração. De acordo com um estudo da Organização da saúde de Seattle, nos Estados Unidos, cerca de 85% dos pacientes que procuraram ajuda nos últimos dez anos eram do sexo feminino, com idade média de 34 anos. As razões pelas quais isso ocorre não estão comprovadas. Mas acredita-se que as oscilações hormonais e o fato de a musculatura da mulher ser mais frágil que a do homem sejam os principais responsáveis.

Por trás da dor, o estresse

A ATM é uma articulação complexa, que tem a mesma estrutura do joelho e do ombro e é fácil de localizar. Se você colocar o dedo polegar perto do ouvido e abrir e fechar a boca, sentirá seu movimento. Até pouco tempo atrás, os especialistas acreditavam que o equilíbrio desse encaixe dependia basicamente do posicionamento correto dos dentes e da ação da musculatura do rosto. Hoje, sabe-se que existem vários outros fatores que podem interferir nessa conexão, como manter hábitos inadequados (mascar chicletes, roer as unhas, morder objetos), apresentar alterações hormonais, sofrer de artrite reumatóide, ter uma mobilidade além do comum nas articulações do corpo ou passar por trauma, como uma pancada na face em acidente de carro, apresentar hábitos parafuncionais como apertamento e bruxismo. Em suma, um desarranjo na arcada dentária nem sempre significa um desequilíbrio na ATM. Por outro lado, quem o apresenta está mais sujeito ao problema quando sofre a influência dos fatores anteriores. Outro fato comprovado: a fadiga muscular, aquela diretamente ligada ao estresse, é a grande causadora das crises de ATM. Quando estão contraídos, os músculos da mastigação trabalham de forma intensa, o que aumenta a produção local de ácido lático. Essa substância dificulta o movimento das fibras musculares, deixando-as cansadas e doloridas, e o incômodo se irradia despertando em cadeia outras dores. Se a tensão é muito grande, pode ocorrer até mesmo ocorrer um deslocamento no disco articular que amortece o contato entre os ossos do crânio e da mandíbula.O resultado e o surgimento de um “click “( estalos ) ao abrir a boca.

E preciso relaxar

O dentista consegue detectar a disfunção analisando os hábitos do paciente, fazendo uma palpação da musculatura e do osso, avaliando os movimentos mandibulares e pedindo exames complementares, como raio X , tomografia, ressonância magnética entre outros.

Relaxantes musculares e antiinflamatórios são utilizados num primeiro momento para aliviar os sintomas, mas a técnica terapêutica usual é a prescrição do uso de placas, chamadas oclusais, que são feitas de acrílico e encaixadas na arcada superior ou inferior, entre os dentes. Elas amortecem a tensão, ajudando a relaxar a musculatura. Sua utilização é indicada principalmente à noite, período em que a contração dos músculos é involuntária e intensa, fazendo com que a articulação trabalhe alem da conta. Somente em alguns casos quando a tensão e excessiva, o uso da placa e necessário também durante o dia. O tempo para que apareçam os resultados varia de pessoa para pessoa. Algumas conseguem resolver o problema apos uma única consulta , outras podem levar de um a dois anos para sentir alivio total.

Porem, segundo uma corrente cada vez mais forte da odontologia, atacar somente a tensão localizada não basta. Para realmente funcionar, a terapia também deve focar o que esta levando o paciente a sobrecarregar a articulação. Os profissionais que se dedicam a combater os problemas da ATM têm trabalhado nesse sentido.Eles recomendam que o cliente faca psicoterapia (para analisar e tentar superar as causas emocionais do estresse), que seja acompanhado por especialistas em RPG (reeducação postural global), acupunturistas (a aplicação de agulhas auxilia no controle da dor e alivia inflamações articulares), fonoaudiólogos (cujo trabalho vai incidir principalmente sobre os músculos da mastigação) e fisioterapeutas ( com manipulações e mobilizações de músculos e articulações da região cervico-cranio-buco-facial , auxiliando assim a reabilitação global do paciente),como recomenda Dr. Cláudio Bagdad M. Gama , especialista em Fisiopatologia Crânio mandibular na Unisantana-SP. E importante que haja uma interação da Odontologia com outras áreas de saúde. Essa parceria potencializa a cura e melhora a qualidade de vida de quem está sofrendo com a ATM.